Preconceito se combate de dentro para fora

Muitas mães e pais ainda sofrem disso. E escondem seus filhos em casa, internam, etc. Desconversam quando o assunto autismo aparece na família. Quando criamos a Revista Autismo, nosso maior objetivo era divulgar informações para que o maior número de pessoas pudesse ter acesso à elas.
Acreditando sempre que só a informação combate o preconceito.

– O que ela tem, senhor? – perguntou-me o funcionário do Metrô quando solicitei o acesso da minha filha.
– Ela tem autismo – respondi.
– Ela é deficiente física?
– Não senhor, ela tem autismo. Mas tem os mesmos direitos de um deficiente físico.
– Então ela é especial? – insistiu o funcionário.
– Especial para mim, que sou pai dela. Ela tem autismo, meu senhor, e como lhe expliquei antes, tem os mesmos direitos dos “portadores de necessidades especiais”.

Minha vontade foi ter respondido: “Especial é o coelhinho da Páscoa, Papai Noel, etc”. Mas isso só ia dar margem para uma perda de tempo maior. Estava com Jujú, queria mais era sair dali com ela. Mas não perdi a chance de, naqueles poucos segundos, incutir uma nova perspectiva para o funcionário do Metrô, que até então desconhecia os direitos dos autistas, muito menos o que era autismo.

Sempre que posso esclareço as pessoas sobre autismo e não tenho vergonha nenhuma de dizer que Julia tem autismo. A maioria das pessoas busca, olhando para ela, diferenças físicas que constatem o que estou falando, mas o autismo não faz nenhuma alteração física como no caso da Síndrome de Down, que você olha o indivíduo e percebe.

Algumas vezes até sugeri que as pessoas falem com ela. Interajam com ela. Certa vez um desses funcionários do Metrô se abaixou pra falar com ela. Ele tinha um bigode e uma barba bem densa. Ele falou pra ela assim “Oi” e ela, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, pegou a barba do homem e segurou como se dissesse “abre isso ou arranco fora sua barba”. Tinha dois outros funcionários junto com ele que “racharam” de rir com a cena.

Acho que isso não é exposição. É integração. A sociedade precisa conhecer o autismo e cada pequeno gesto desse ajuda a conscientizar e a diminuir o preconceito.

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