Espiritualidade, dimensão esquecida e necessária

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As lições que aprendemos nessa vida são muitas. Nascemos, somos criados desde bebezinhos com amor, e ainda na infância começamos a perceber o que é a vida, as dúvidas, os medos e as incertezas que todo ser humano sente.
Crescemos, estudamos, partilhamos o saber, nos tornamos “seres sociais”. Mais tempo passado e viramos adultos, e nossas incertezas mudam, mas continuam presentes. Conhecemos o amor de verdade quando nos tornamos pais. Daí tudo muda de sentido, as dúvidas e os medos e as incertezas são outros…
Eu sou pai de uma menina autista que, pela condição dela atual, vai passar a vida inteira sendo uma criança, mesmo tendo crescido e se desenvolvido como mulher. Eu me sinto impotente ante o autismo dela, mesmo com todos os esforços que faço para desenvolvê-la o melhor possível. Eu vivo num mundo cheio de mentiras, cheio de falsidade, um mundo que não está preparado para receber seres tão puros, tão ingênuos.
Assim como eu, vários pais se perguntam: “Como será o futuro de nossos filhos?” “Quem vai poder ajudar, quem vai amar um adulto com a mente de uma criança num mundo tão injusto, tão insensível como esse que nós vivemos?”
Muitas questões me angustiam, como eu imagino que angustiam muitos pais de autistas nesse mundo. Mas, a maior delas é: “O que será da minha filha quando eu não estiver mais aqui?”
Nessa vida muitas perguntas não tem respostas, pela limitação que temos para compreender os mistérios e os desígnios da natureza.
Eu vejo esse mundo receber cada vez mais e mais crianças com autismo (hoje a taxa de incidência da síndrome chega à 1 em cada 50 crianças nascidas). Essa taxa é um índice de um país apenas, mas reflete um cenário mundial. Alguns podem ter menos incidência do que outros mas, mesmo assim, é muito; é alarmante, trata-se de uma epidemia que os governantes fazem questão de não dar importância.
Por mais que tentemos fazer o melhor para os nossos filhos as dúvidas pairam em nossas mentes. Qual é o significado disso tudo? Uma revolta da natureza à uma humanidade que esqueceu-se de “ser humana”? Uma vingança à uma civilização que só dá valor ao dinheiro, ao status e esquece-se de coisas simples como o amor?
Seriam os autistas as trombetas de um Deus enfurecido com tanto ódio, tanta falsidade, tanta arrogância e mesquinharia?
Mesmo que seja o início de uma nova ordem mundial, nós, pais de autistas estamos cativos dessa mesma condição que isola nossos filhos, que os excluem dessa sociedade. Por mais que estudemos e ajudemos, estamos longe de compreender os mistérios que cercam suas vidas.
Só nos resta acreditar que a ciência um dia encontrará a causa e a cura para essa Síndrome. E confiar em Deus, para que nossos filhos não sofram, nem pereçam. Enquanto houver essa esperança eu me agarro nela e, como muitos pais, vou vivendo e sonhando com um mundo melhor para eles.

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6 Comentários

  1. Martim,
    Como mãe de autista passo pelo mesmo dilema do “quem vai cuidar e amar depois que eu me for”…
    Essa semana tive uma resposta de alguém iluminado que disse: “depois que vc for embora a Providência Divina continuará estando aqui…”
    E é nisso que tento me agarrar, saber que Deus tem um plano prá todos nós, e que ele não vai nos abandonar.
    Abraços,
    Claudia Moraes

  2. Nilceia Rolim

    Martim, concordo com Claudia, não existe outra forma de nos sentirmos mais seguros se não pela Fe, sabendo e acreditando que existe algo maior, uma plano maior por estarmos recebendo tantos filhos cuja relação com esse mundo e diferente. Podemos fazer milhares de alusões e nunca vamos saber. Saberemos que devemos ama-los mais que a nos mesmos, devemos aprender a ouvi-los com mais sensibilidade e paciência, olhar e cuida-los como se não existisse o amanha, apenas hoje, com muito, muito amor…
    Ficamos contentes em ver e ouvir de um pai, pois esse universo são imperfeito, nem sempre e comodo para os homens. Abraços fraternos. Nilceia Rolim

  3. textwebwriter

    Fico muito feliz qdo as pessoas interagem com o blog e comentam. Obg Nilceia e Claudia pelas palavras. Abraços azuis!

  4. Ahhhhh Martim, o q posso dizer além de ter fé por dias melhores?! São inumeras noites q perco o sono tentando encontrar respostas q nao existem. Mas procuro acalmar meu coração. Super abraço, AnaM

  5. Marilei Fernandes

    Marin que texto mais verdadeiro em sentimentos, concretizados em palavras firmes e ao mesmo tempo “doces”.

    Respostas….respostas….há se tivessemos todas!
    Não importa não tê-las, pois para tudo existem uma razão.

    Deus estará presente, amparando as crianças/jovens/adultos e suas familia.
    Que Ele possa inspirar nossos cientistas e pesquisadores, direcionando os caminhos na busca da qualidade de vida de todos no mundo.

    Obrigada por compartilhar esse belo texto. ❤

  6. irali regina marinelli

    EM MEU CORAÇÃO EXISTE ESTA CERTEZA QUE QUANDO EU ME FOR MEU FILHO FICARA AMPARADO, DEUS NÃO PERMITIRIA TANTOS ANJOS AZUIS ASSIM SE NÃO TIVESSE ALGO DE BOM PARA TODOS, TENHO A CERTEZA QUE JAMAIS ESTAREMOS SOZINHOS, MESMO QUE EM NOSSA VOLTA NÃO VEJAMOS NINGUÉM, MAS ALGO MUITO MAIOR ESTA NOS APOIANDO, NOS DANDO FORÇAS E É NISSO QUE ME SEGURO E ME SINTO FELIZ…

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