Eles vão te cobrar coisas, que nem eles mesmos são capazes de fazer

titulo
Meu mundo por imagens
Sou diretor de arte. Como assim? Diretor de arte? O que faz?
Ele vê a vida por imagens. Por histórias.
Diretor de arte em cinema, reconstrói exatamente uma época. Marca um tempo, buscando referências históricas. Essa localização é ponto de partida pra uma grande atuação, no caso de atores.
O diretor de arte na propaganda enxerga uma cena em seus detalhes mais minuciosos. Vê um elo dessa imagem a um significado. Assim como o fotografo capta num momento a “impressão” de uma cena da vida.
Aquilo é um quadro. Por isso, arte. Arte envolve tudo. Arte está na vida, é uma referência de se estar vivo. Por isso as pessoas buscam a arte, fazem arte.
Pode ser pra se eternizar mesmo. Por breves instantes. Ou pode ser pela busca do belo. E não, apenas, ao belo plástico. Mas o belo da alma. Que envolve tudo, corpo e alma.
Arte.
Talvez certos gênios da humanidade, vissem a vida assim, tão pura e sincera obra de arte. Um toldo feito de imagens que passamos, num carrossel interminável e caleidoscópico. Cenas. Déjà vus. Hai kais.

Autistas: imagens e sons
Eu imagino que imagens, para os autistas, sejam um grande portal. Alguns tem uma sobrecarga dessas imagens, que podem ser várias interpretações diferentes. É necessário um ajuste nessa sintonia. Já que eles não sabem nem imaginam como se conectar a elas e interpretar.
Imaginem o seguinte: umas cem telas de diversos tamanhos cada vez que você olha pra um lado diferente. E você precisa “filtrar” as telas pra poder ter um entendimento de todo o fato.
Ou então, uma multiplicação de imagem de todos os objetos e pessoas que compõe uma cena num mesmo quadro.
Ou ainda uma “camada” a mais, um mundo que , de repente, só ele, a pessoa com autismo enxerga.
Não estou afirmando que seja assim que uma pessoa com autismo vê uma imagem. Mas pode ser. Há vários programas e métodos dentro do autismo que se baseiam nas imagens para focar uma determinada área comprometida no autismo: a comunicação.
Por isso alguns programas se baseiam na limpeza da área visual, ou proporcionam um ambiente limpo e organizado, sem o excesso de estímulos, que podem ser interferências na captação da informação.

Sons, também são dicas dadas pelos próprios autistas. Carly Fleischmann naquele vídeo Carly’s Café demonstra isso claramente. Muitas vezes sons que passam desapercebidos por nós num barulho de um ambiente, para eles soam de maneira assombrosa. Atrapalham. Assustam. Irritam. Se o autista não for tirado desse mundo por meio de uma sintonização, ele continuará sem saber em que mundo está. Quem ele é. O que ele faz aqui.
Alguém já imaginou isso. Crescer ouvindo coisas que doem, imagens que confundem algo que nem sei porque acontece comigo? Porque não sei o que faço ali exatamente. É para brincar? Eu adoro brincar. E brinco.
Talvez a vida seja uma eterna brincadeira ou dor para os autistas. Tudo conforme eles encaram aquela grande e barulhenta bagunça.
Sintonização das imagens. Equalização dos sons.
Pode ser por aí um caminho.
Mas ninguém terá a paciência e a capacidade de sintonizar com um filho do que seu pai ou sua mãe. Não há na Terra ligação mais forte. É um deles que precisa fazer esse “ajuste”.
E eu quero ser o técnico que vai procurar entender como minha filha enxerga o mundo. Como ela ouve? Eu vou buscar essa resposta pra poder ajuda-la a se organizar. A saber interpretar as cenas da vida, para saber qual é o nosso papel aqui. Saber que às vezes o brincar precisa ser mais responsável. Ou que existe um perigo em brincar em certos locais. Ter uma maior noção do que é a vida e se situar como pessoa.
“Limpar” aquela camada de imagem a mais ou ajustar a sintonia geral. Modular o som, os ruídos.
Tendo uma trégua nessa complicada sucessão de impactos visuais e auditivos a pessoa com autismo pode ter alguma chance de se desenvolver melhor.

Conclusão
Aqui só são hipóteses apresentadas. Quero deixar claro que não sou especialista em autismo. E minha percepção sobre arte e sobre o belo é ainda muito pequena. Quero ser especialista em minha filha Julia. E se for esse o caminho a trilhar, resgatá-la para o mundo, por meio de um ajuste de “sintonia” eu vou segui-lo.

Anúncios

2 Comentários

  1. Daniela Laidens

    Muito legal este post, Martim !

    • textwebwriter

      🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: