Dia dos Pais e Autismo no Fantástico

Estes dias estava vendo um vídeo do escritor uruguaio Eduardo Galeano, e ele falava sobre um encontro na Praça Catalunha em Barcelona, bem como de um encontro de jovens na Praça do Sol em Madri. Falava sobre entusiasmo e o poder desta força. Pensei diretamente na ligação que ele tem com a criação de um filho autista.

Essa semana tem o dia dos Pais e como pai fiquei pensando em todos os momentos que passei por causa da Julia, depois do diagnóstico dela, uma fase ainda sem muitas informações que norteassem uma ação mais positiva e produtiva no desenvolvimento dela.

Vi ainda, feliz, o primeiro quadro da série que o Dr Dráuzio Varela vai fazer sobre autismo, apresentando os vários aspectos da síndrome num programa como o Fantástico, na Rede Globo, o que vai mudar, e muito, a opinião de grande parte do público em geral que desconhece ou conhece muito pouco do assunto.

Tudo isso são conquistas dos pais e profissionais que se mobilizam e fazem a sua parte em passar informações, se expor, não deixarem de lutar um só minuto apenas para que as pessoas com autismo no Brasil possam ter uma vida mais digna e um futuro menos sombrio, com menos preconceito.

Mas voltando ao tema inicial – o entusiasmo – criei até um anúncio para Revista Autismo sobre o assunto. Ele informa que a palavra entusiasmo vem do grego “en-theos-asm” que significa “sopro de Deus dentro”. Se a respiração é nossa principal fonte de energia física, o entusiasmo é a principal fonte de energia motivacional. O entusiasmo gera uma imensa energia interna, dotada de um ânimo capaz de mover as pessoas adiante, com dedicação, paixão e força criadora, ainda que as condições não sejam as melhores. Tanto isso é verdade que a experiência mostra que o sucesso e o êxito estão, na maioria das vezes, relacionados ao nível de entusiasmo das pessoas do que à sua capacitação técnica ou à abundância de recursos.

A lição dessa experiência em criar Julia com entusiasmo é que a resposta dela tem sido muito positiva. Ela realmente se deixa envolver, contaminar por este entusiasmo que acaba “facilitando” a abordagem ou a aprendizagem. Isso é fato.

Vendo o primeiro quadro do Fantástico, vendo aqueles pais jovens tratando de um menino que não dormia e tomava mais de 10 banhos por dia me vi naquela situação, mas há muito tempo atrás. Quando eu e a mãe dela perdíamos noite de sono com ela chorando pequenininha, sem motivo aparente, às vezes por horas a fio, nos deixando completamente exaustos e desesperançosos.

Mas isso muda. Muda com a informação. Muda com tratamento. Mas tudo isso precisa ser aprendido pelos pais. Somos nós (pais) que fazemos mudar essa história, depende única e exclusivamente de nós. Aliás, a qualidade de vida dos nossos filhos (e nossa), o desenvolvimento deles e até onde eles podem chegar depende SOMENTE disso. Uma nova postura diante do fato do autismo ter atingido sua família.

Caso você encare como um problema, e tenha apenas a autopiedade e a raiva como base dificilmente o quadro irá se alterar. Muito pelo contrário, provavelmente se agravará. Portanto é necessário uma novo modo de viver, de encarar o autismo, não como um peso em sua vida, mas como um desafio, uma missão que lhe foi dada, para que todos possam crescer, como pais e filhos, como seres humanos, como pessoas que vão enfrentar juntos algo que poderá trazer frutos positivos em suas vidas, apesar do aparente drama.

Hoje eu, como pai, encaro ter a minha filha Julia uma benção em minha vida, que me faz ser um homem mais atento a certos aspectos da vida que, antes, eu não dava valor.

Claro que há momentos na vida que bate um sentimento que me faz chorar. Uma angústia. Acredito que todos os pais e mães de autistas tenham esses momentos, mas eles passam. A gente enxuga as lágrimas e volta ao nosso dever de educar, de preparar nossos filhos para uma vida o mais próximo possível do que chamamos de “normal”.

Estar ciente da nossa missão o tempo todo é essencial. Estar preparado para mudar o que os indianos chamam de “karma” é fundamental. Tornar esse karma positivo é a alquimia que todos os pais de autistas devem ter em mente.

Aos pais que lerem este post e às mães que desempenham sozinhas o papel de mãe e pai desejo um feliz e proveitoso dia dos pais.

Para finalizar o post, mais um pensamento de Galeano, que inspira e pontua como criar um filho autista.

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4 Comentários

  1. isabel suzana de andrade barbosa

    tenho 3 filhos, 2 autista 1 grave.tive que separar ele dentro de casa,nao porque eu quis mais foi preciso.ele ja esta com 20 anos.mais ate hoje nao teve tratamento adequadro.e mto triste,mais eu nao paro de lutar.
    eu nao p

    • textwebwriter

      Não desista Isabel. Não importa a idade que ele esteja, há sempre como melhorar a qualidade de vida da família! Depois me escreva dizendo de onde vc é, o nome dos seus filhos e mande uma foto deles tb. Forte abraço na família. Meu email é: martim@revistaautismo.com.br

  2. Ana claudia

    Tenho um filho que hoje tem 8 anos de idade e está com desenvolvimento normal de sua idade, mas com 1 ano e 8 meses Depois de Minha insistencia levei a tres neurospediatras e diagnosticaram ele debtor do espectro autista, mas graças a Minha insistencia e do meu marido fizemos todos os tratamento indicados: psicologa, terapia ocupacional, fonodiologa, tendo dentro das nossas possibilidades e com muito esforço, porque não somos ricos, mas gastamos muito, sem economizar.felismente estavamos certo em nosso investimento e ele e uma criança Linda, educada, e muito feliz.

    • textwebwriter

      Fico muito feliz por vocês Ana Claudia, todo o esforço feito foi recompensado com um desenvolvimento típico para a idade, isso é uma benção! Parabéns à vc e seu marido. Depois mande uma foto do seu filho e o nome dele por favor. Forte abraço na família!

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